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Visibilidade lésbica: ‘Somos merecedoras de cuidado’, diz presidente de associação
Data da postagem: 29/08/2025
Play 38:12 45:29 28.AGO.2025 ÀS 19H00 ADELE ROBICHEZ E LUANA IBELLI Dia da Visibilidade Lésbica é celebrado nesta sexta-feira (29) - Fernando Frazão/Agência Brasil “Nós somos merecedoras de cuidado. Precisamos estar bem para conseguirmos nos organizar e cobrar do Estado políticas públicas.” A afirmação é da advogada Luanda Pires, presidente da Associação de Mulheres LBTI, feita durante o BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, nesta quinta-feira (28). Às vésperas do Dia da Visibilidade Lésbica, celebrado nesta sexta-feira (29), ela defende que o cuidado deve ser entendido como um direito fundamental, especialmente em um país que figura entre os mais inseguros do mundo para a população LGBTQIAPN+. Mais de 78% das mulheres lésbicas no Brasil já foram vítimas de violência ou discriminação por sua orientação sexual, segundo o primeiro LesboCenso (2021-2022). O levantamento mostra que quase 30% das agressões ocorreram dentro da própria família. “A partir do momento que, desde muito cedo, não podemos ser cuidadas, porque sofremos discriminação da família, nós formamos outros núcleos familiares pelo afeto. Mas, principalmente, precisamos, enquanto pessoas LGBT+, pensar no autocuidado, que é se proteger, se resguardar e nos colocarmos em primeira pessoa”, diz. Além do autocuidado, Pires ressalta a importância de romper com a lógica que ensina lésbicas a cuidar dos outros para serem aceitas. “Se eu não reconheço que eu posso ser cuidada, eu passo a entender que, para ser aceita, preciso sempre agradar o outro. Pessoas LGBTs são acostumadas a deixar muito de si nas relações para receber muito pouco. Por isso falo que a gente precisa olhar para si primeiro”, explica. Segundo Pires, transformar essa realidade exige mudanças que começam desde a infância. “A partir do momento em que enfrentarmos essa realidade e educarmos essas pessoas, vamos conseguir mudar essas vidas. Crianças LGBTs começam a sofrer preconceito dentro de casa, na escola, a partir dos 6, 7 anos de idade”, avalia. Para ela, só a partir dessa consciência será possível cobrar efetivamente do Estado políticas públicas que garantam dignidade e proteção. “Enquanto sociedade, precisamos entender que pessoas LGBT+ também têm direito de serem cuidadas, não só por si mesmas e por amigos, mas pelo Estado e pela sociedade”, defende. O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 21h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato o programa é veiculado às 19h. Editado por: Monyse RavenaMais de 78% das mulheres lésbicas no Brasil já foram vítimas de violência ou discriminação por orientação sexual
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Por Rede Brasil Atual