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Havan triplica lucro desde 2022 após Luciano Hang prever país ‘quebrado’ com governo Lula
Data da postagem: 09/10/2026
Luciano Hang, dono da Havan, com funcionários da empresa | Crédito: Reprodução Às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, o empresário Luciano Hang dizia que deixaria de fazer novos negócios e reduziria os investimentos no Brasil caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltasse à Presidência. “Quem vai investir em um país que vai quebrar lá na frente?”, questionou em entrevista divulgada dois dias antes da votação, em outubro daquele ano. Três anos depois, a Havan registrou o maior lucro de sua história. O resultado líquido da empresa saltou de R$ 424,9 milhões em 2022 para R$ 1,49 bilhão em 2025. O avanço foi de 249,7%, segundo cálculo do Brasil de Fato a partir das demonstrações financeiras da companhia. O lucro ficou 3,5 vezes maior no período. O crescimento continua em 2026. No primeiro trimestre, a Havan teve lucro líquido de R$ 285,4 milhões, alta de 12,9% sobre o mesmo período do ano anterior. O faturamento bruto chegou a R$ 4,56 bilhões, avanço de 18,7% na mesma comparação. O faturamento bruto também cresceu. Passou de R$ 14,25 bilhões para R$ 18,34 bilhões entre 2022 e 2025, alta nominal de 28,7%. Além disso, a situação financeira da empresa mudou. A Havan encerrou 2022 com R$ 1,28 bilhão em dívida líquida. Ao fim de 2025, tinha R$ 580 milhões de caixa líquido (quando as disponibilidades financeiras superam as dívidas). A companhia informou ainda ter quitado todas as operações que mantinha com bancos naquele ano. A rede também ampliou sua presença física durante o governo Lula. Os balanços da Havan registravam 171 lojas em operação no fim de 2022. Eram 172 no encerramento de 2023, 177 em 2024 e 184 em 2025. No primeiro trimestre de 2026, o número chegou a 187. A contagem dos balanços difere da numeração comercial adotada pela própria empresa para suas inaugurações. Em outubro de 2026, a Havan já anunciou sua 197ª unidade, em Macapá (AP). De acordo com publicação no LinkedIn, a rede prevê terminar o ano com 203 lojas e faturamento de R$ 22 bilhões. Com tudo isso, o crescimento contrasta com as declarações dadas por Hang durante a campanha presidencial de 2022. Em agosto daquele ano, o empresário afirmou à revista Veja que a Havan tinha mais de 60 projetos aprovados, mas poderia interromper os investimentos diante da possibilidade de vitória de Lula. “Nós vamos parar”, disse. Na mesma entrevista, afirmou que não se via mais investindo no Brasil caso a esquerda voltasse ao governo. Dois dias antes do segundo turno, em entrevista ao podcast Os Sócios, o empresário voltou ao assunto. Disse que não faria novos negócios, não deveria crescer nem continuar investindo no país. “Quem vai investir em um país que vai quebrar lá na frente?”, questionou. A entrevista foi transmitida em 28 de outubro de 2022. Lula venceu a eleição no dia 30. Depois do resultado, Hang manteve o tom de alerta. Em 2 de novembro, três dias após a eleição, foi filmado falando a apoiadores de Bolsonaro em um restaurante de Brusque (SC). “Temos ainda alguma chance, não sei mais. Se eles tomarem o poder, acabou, pessoal”, afirmou. “Agora, ainda acho que dá tempo, vamos esperar, tá?” O episódio foi registrado e publicado pela Agência Pública. No dia anterior, porém, a Havan havia divulgado uma nota à imprensa em que Hang negava participação nos bloqueios de rodovias e afirmava: “Desejamos o melhor para o Brasil e para todos os brasileiros”. Questionada pela Veja se o empresário manteria a promessa de paralisar investimentos após a vitória de Lula, a assessoria não respondeu. A quebra mencionada por Hang não ocorreu nos três primeiros anos completos do atual governo. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mercado de trabalho também melhorou. A taxa média de desemprego, que havia sido de 9,3% em 2022, chegou a 5,6% em 2025, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. O país encerrou aquele ano com 103 milhões de pessoas ocupadas, também recorde da série. A história de expansão da Havan também inclui o uso de linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instrumento de política pública de financiamento. Dados do banco mostram 50 operações em nome da Havan S.A. entre 2005 e 2014, período que atravessa os governos de Lula e Dilma Rousseff (PT). Os financiamentos somaram cerca de R$ 20,6 milhões em valores nominais da época. As operações foram indiretas e reembolsáveis, intermediadas por instituições financeiras credenciadas pelo BNDES. Todas aparecem atualmente como liquidadas. A última contratação registrada ocorreu em 2014. Não há novas operações em nome da Havan S.A. no período do terceiro governo Lula. A expansão continua nos planos da companhia. Em entrevista ao Exame Insight publicada em 4 de outubro deste ano, Hang afirmou que ainda pretende abrir 15 lojas em 2026 e vê espaço para a rede chegar a 300 ou 400 unidades no Brasil. A empresa também estuda entrar no Paraguai e no Uruguai. Na mesma entrevista, quatro anos depois das declarações de 2022, o empresário voltou a relacionar o ritmo dos investimentos da Havan ao cenário eleitoral. Questionado pela revista sobre acelerar ou frear a expansão em 2027, respondeu: “Depende das eleições”. Hang e a Havan têm processos por assédio eleitoral contra trabalhadores. A rede afirma contar atualmente com cerca de 25 mil colaboradores em todo o país. Em 2018, a Justiça do Trabalho proibiu o empresário e a empresa de pressionar funcionários ou realizar pesquisas de intenção de voto entre os empregados após declarações em que Hang relacionava o resultado da eleição ao futuro das lojas e dos postos de trabalho. O caso levou a uma condenação em primeira instância em 2024. Em fevereiro de 2025, após recursos das duas partes, Havan e Ministério Público do Trabalho (MPT) fecharam acordo. A empresa se comprometeu a não realizar enquetes, pesquisas ou atos de cunho eleitoral dirigidos aos funcionários dentro de suas unidades. Em setembro deste ano, o MPT voltou a processar a Havan e Hang por assédio eleitoral e pediu R$ 30 milhões por dano moral coletivo. A ação foi motivada por um discurso do empresário diante de funcionários durante a inauguração de uma loja em Caldas Novas (GO), em 29 de agosto, quando criticou a proposta de fim da escala 6×1 e relacionou a medida às eleições. Segundo o MPT, Hang associou a escolha eleitoral a possíveis prejuízos aos trabalhadores. A ação tramita na Justiça do Trabalho em Goiânia. Hang nega ter cometido assédio eleitoral. Em resposta à ação, afirmou que não citou candidato ou partido, nem pediu votos, e que apenas manifestou sua opinião sobre a proposta de mudança na jornada de trabalho. A equipe do Brasil de Fato tentou contato com a assessoria da Havan, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto. Editado por: Rafaella Couryué, ficou melhor?
Lucro líquido da varejista saltou de R$ 425 milhões em 2022 para R$ 1,49 bilhão em 2025


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Por Brasil de Fato